Iniciativa do SEBRAE em parceria com a Prefeitura municipal uniu sustentabilidade, estudo de mercado e inovação tecnológica para transformar a rotina do 6º ano da Escola Municipal Justiniano José Machado.
O cheiro forte e marcante da pimenta invadiu a rotina escolar em Pontalina, mas longe de ser um incômodo, ele se transformou no principal motor de uma verdadeira aula prática de negócios. Estudantes do 6º ano da Escola Municipal Justiniano José Machado deram uma aula de criatividade e visão de mercado ao utilizarem a própria horta da instituição para cultivar pimentas malaguetas, de cheiro e de bode. O resultado? O lançamento de uma linha exclusiva de temperos e conservas artesanais.
A iniciativa faz parte do projeto Jovens Empreendedores – Primeiros Passos (JEPP), uma parceria de longa data entre a Prefeitura de Pontalina, o SEBRAE Goiás e a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. No entanto, segundo o professor orientador Leonardo Moreira, a edição deste ano ganhou ares de inovação e desafio real.
“Nós queríamos algo que trouxesse um aprendizado palpável. Trabalhamos com os alunos a questão da demanda de mercado e percebemos que a pimenta apresentava uma excelente saída comercial. Além disso, exploramos a produção de derivados justamente para evitar o desperdício do produto e garantir o aproveitamento total da safra”, explica o professor.
Um dos pontos altos do projeto foi a criação da identidade visual dos produtos. Inspirados pela expectativa em torno do novo filme do Motoqueiro Fantasma, com estreia oficial marcada para os cinemas em 28 de julho de 2028, os alunos uniram paixão por cultura pop e empreendedorismo.
Primeiro, as crianças desenharam os primeiros rascunhos à mão, buscando traduzir a ardência e a energia das pimentas. Em seguida, com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial, essas ideias ganharam contornos profissionais. O resultado dessa imersão criativa foi o batismo da marca: Burning Pepper, um nome forte que reflete o entendimento profundo da turma sobre a importância de agregar valor e identidade própria a um produto comercial.
Mais do que desenhar marcas e rótulos, a turma foi imersa nos riscos e nas complexidades da agricultura. Os estudantes lidaram de perto com o chamado “plantio de risco”, enfrentando desafios como o ataque de pragas na plantação. A vivência serviu para mostrar que o empreendedorismo exige resiliência e planejamento estratégico diante de imprevistos.
Seguindo rigorosos padrões de segurança, a garotada colocou a mão na massa, sempre sob supervisão atenta e utilizando todos os Equipamentos de Proteção Indispensáveis (EPIs) necessários para o manejo adequado. Para garantir a qualidade comercial, a etapa de industrialização dos temperos e conservas foi terceirizada, coroando o esforço coletivo.
Para o professor Leonardo, o grande trunfo de projetos dessa magnitude é a capacidade de aproximar a teoria da sala de aula do cenário econômico local. “É gratificante ver como projetos simples conseguem dar aos alunos a dinâmica de aprender a empreender, observando a própria realidade e as possibilidades de negócios ao redor”, conclui.
Com o apoio estrutural da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, a horta da Escola Municipal Justiniano José Machado deixa de ser apenas um espaço verde pedagógico para se tornar um símbolo de inovação, provando que, em Pontalina, o futuro do empreendedorismo já começou a ser colhido na base.
