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Auschwitz: relatos de um brasileiro prisioneiro: “Está vendo aquela fumaça? É a sua família que sai ali pela chaminé”

Janeiro mês de libertação do campo de concentração de Auschwitz.
Andor Stern é o único brasileiro que se sabe ter estado e sobrevivido em Auschwitz. Andor quando criança vivia no Brasil, até que seu pai decidiu passar um tempo com a família na Hungria. Quando começou a Segunda Guerra Mundial, no meio dela o Brasil se voltou contra a Alemanha e contra a Hungria sua aliada. Por ser judeu toda a família foi presa e levada para Auschwitz. Ao chegar, sua mãe e seus parentes foram levados imediatamente para a câmara de gás e incinerados. Um de seus captores olhou para ele, apontou para a fumaça que saia da câmara de gás e disse. “está vendo aquela fumaça? É a sua família saindo pela chaminé”. Andor foi poupado para trabalhar até a morte. Não apenas judeus foram levados aos campos de concentração. Entre outros, testemunhas de Jeová e ciganos também foram mortos em um número bem menor do que os judeus mas significativo. Os ciganos até criaram em uma das línguas utilizadas entre eles um termo próprio para o seu sofrimento no período do holocausto: “Baro Porrajmos” (grande consumação da vida humana).

A pouca comida servida aos prisioneiros estava sempre contaminada. A diarreia era constante. Mas o que os matava também os auxiliava no inverno terrivelmente frio. A diarreia os ajudava a se manterem aquecidos, quando à noite os prisioneiros literalmente vazavam e enchiam as roupas de fezes. Por um tempo as fezes quentes em contato com os seus corpos os aqueciam. Era preciso se acostumar com isso. Em Auschwitz você é obrigado a se acostumar com tudo. Diziam os prisioneiros. As testemunhas de Jeová foram levadas aos campos por não seguirem as determinações do nazismo de se alistarem em grande quantidade, fazerem a saudação “Heil Hitler” ou atuarem politicamente. Voltando a Andor, no final da guerra, já no campo de Dachau e pesando 28 quilos ele foi libertado. O que fazer? Muitos queriam pouco da vida: “um par de sapatos que não entre água, …. roupa isenta de bichos e pulgas…. e poder dizer vou comer esse pão amanhã às 14h e vou conseguir esperar até amanhã porque não estarei passando fome”. Mas com o tempo “isso passa e você fica cheio de frescura” ele brinca. Mas nenhum deles parece ter esquecido. Em 2016 o judeu Johnny Pekats retornou pela primeira vez ao campo no qual foi prisioneiro e sua família foi morta. Suas palavras foram: “meu Deus, meu Deus! Foi aqui que eles morreram. Foi aqui que eles as tiraram de nós. Eu consigo ver tudo” completa Pekats. O ex prisioneiro Andor hoje vive no Brasil e, com mais de 90 anos ainda trabalha e faz palestras gratuitamente.

Sobre Auschwitz, era um complexo de campos de concentração com um total de 48 campos, nos quais muitas vezes se efetuavam diferentes atividades. Ainda hoje há mais de um milhão de pessoas desaparecidas ou mortas sem identificação ligadas a esses campos.

POR: Robson Gomes Filho e Itelvides Morais
doutores em História e Sociologia e professores da UEG Morrinhos.

Na foto: 1 Andor Stern atualmente; 2 Andor ainda criança e sua mãe Julia; 3 Sapatos de prisioneiros mortos que eram posteriormente reutilizados; 4 o interior de uma câmara de gás.

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