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OPINIÃO: SÉRGIO MORO É UMA DAS RARAS FIGURAS.

Sérgio Moro é uma das raras figuras que, se não unanimidade, alcançou mais de 50% da popularidade e admiração popular nos últimos 8 anos, isso incluído a queda de popularidade das semanas de divulgação da Vaza Jato.

Sua projeção alcançou ponto máximo com a prisão de Lula e, embora partidos como PP, PMDB e PL e DEM tivessem mais casos de corrupção nos últimos 10 anos, incluindo aí políticos condenados, conseguiu emplacar a narrativa de que o PT seria a representação da corrupção no Brasil, personificada em Lula, como o famoso PPT de Deltan Dalangnol demonstrou. Com certa justiça, creio, por ter sido o partido no poder e que, embora tenha criado as condições para a investigação e repressão, como o próprio Moro admitiu hoje, teve membros e instituições envolvidas profundamente com a corrupção.
A tática de Moro e demais membros da LJ era plantar acusações na imprensa, posteriormente dando coletivas em que acusações viravam condenações. A Vaza Jato mostrou pontos frágeis da relação de Moro com a acusação, muitas vezes ultrapassando a linha criminal, mas não destruiu a aura de alguém ligado à ideia de combatente contra a corrupção.

As ações da Lava Jato, aliada à queda da economia do terceiro ano do primeiro governo Dilma, intensificada no início do segundo mandato, levou a uma piora da visão da política, que culminou com Bolsonaro eleito e Moro ministro, fiador da imagem incorruptível.
Ao longo do ano e 4 meses que Moro ficou ministro, vários episódios mostraram a face real de Bolsonaro: um homem pequeno, envolvido até o pescoço com ligações pouco legais, como milícias, articulador da pequena corrupção, como as rachadinhas de Flávio e Carlos Bolsonaro mostram. Um parlamentar ex-militar, indisciplinado, líder sindical das demandas de policiais militares e forças armadas. Bolsonaro nunca esteve ligado à grande corrupção porque não tinha importância política para isso.

Moro sai agora atirando para todos os lados. Na briga entre Bolsonaro e Moro, fico com a briga. Os 2 se merecem. Moro acusou Bolsonaro de vários crimes ao apontar que ele queria usar cargo público, a Presidência, para interferir em investigações. Isso representa advocacia administrativa, concussão e obstrução da justiça. Por muito menos o Moro prendeu pessoas. Aliás, disse que, no governo Dilma, por mais problemas que houvesse, nunca a Presidente ou um ministro interferiu. Os crimes que Moro denunciou incluiu até falsificação, pois alega que não assinou a demissão, como está no DOU.

Agora, o Moro também se acusou de crime, ou, pelo menos, de articulação para a prática, ao dizer que pediu uma pensão para a mulher e filhos se alguma coisa acontecesse a ele. Com Bolsonaro e o general Heleno. Formação de quadrilha para a prática de crime de prevaricação, talvez até de corrupção passiva. Cargos eletivos do executivo, como o de Presidente, não dá aposentadoria ou pensão. Nem os de ministros.
E Moro termina apontando sua real intenção: se descolar de Bolsonaro para se colocar como opção da direita, passando à frente de Dória e Huck.

Por: Júlio Cesar Meira Doutor em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professor efetivo da Universidade Estadual de Goiás (UEG), lotado no Câmpus Morrinhos, em Regime de Tempo Integral de Dedicação à Docência e à Pesquisa (RTIDP), onde atua na Graduação como professor titular de História Moderna e Contemporânea. Atua na Pós-Graduação como professor do Programa de Mestrado em História da UEG (PPGHIS/UEG) – sendo, também, Coordenador no biênio 2019-2020 – e do Mestrado em Ambiente e Sociedade (PPGAS/UEG). É membro da Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UEG. Como pesquisador, filia-se aos pressupostos teóricos da História Social Inglesa, a partir dos quais se interessa pela História Pública e História Urbana (das Cidades). Seus temas de pesquisa incluem os estudos de Memória, Representações Sociais, Progresso, Modernidade, Modernização e Patrimônio Histórico.

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