Mais uma eleição se aproxima e, em um rápido mirante de tudo o que acontece, é fundamental tentar enxergar o pós-pleito. O erro comum é focar apenas no dia da votação; a inteligência política, porém, exige que se veja o que virá depois. É um fato, uma realidade que se impõe: temos hoje três grupos políticos na cidade. Dois deles já lançaram seus pré-candidatos, enquanto o terceiro continua apenas no jogo de bastidor.
O meu olhar, que pretendo ser cirúrgico, avalia agora o cenário caso se concretize a aposta de muitos: a de que nenhum dos três será eleito. Pois bem, usando a ótica desses que acreditam no vazio de vitórias, o cenário após a apuração será de sobrevivência e esvaziamento. Mesmo com a derrota geral, um desses grupos sairá fortalecido e ganhará mais espaço no campo político local. Outro, porém, perderá força de forma drástica e um terceiro vai morrer politicamente. O que vemos aqui é um primarismo que custa caro: somente se coloca bala em revólver que pode acertar o alvo. Dar tiro por dar tiro, apenas pelo prazer de fazer barulho, é de uma bobeira estratégica sem tamanho, especialmente vindo de pessoas antigas na política cometendo erros primários.
Como ensina Sun Tzu na Arte da Guerra: “A tática sem estratégia é o ruído antes da derrota”. É exatamente esse ruído que sobra quando veteranos ignoram que o jogo mudou. Um desses grupos poderá, com as próprias mãos, movidas pela soberba e pela vaidade, decretar o seu fim político local. A eleição é emoção, mas o cenário atual dificilmente deixará de deixar sequelas nos três grupos. Muitos ainda não entenderam as mudanças do jogo e, por isso, amargam derrotas que antes seriam impensáveis.
Por: Leonardo Moreira
