Morrinhos consolidou-se como uma força empresarial e industrial desde a década de 1990 até os dias atuais. O município acabou sendo privilegiado por uma diversificação econômica que poucas cidades em Goiás possuem — prova disso foi a sua resiliência e força em plena pandemia. Porém, hoje a cidade vive um dilema silencioso, que exige um olhar atento e cirúrgico em relação à classe trabalhadora local.
Com a chegada e o crescimento das grandes empresas e indústrias no passado, propagou-se o discurso de que os moradores locais não eram capacitados para exercer determinadas funções. Como consequência direta, muitos profissionais de fora foram trazidos para ocupar essas vagas. Diante desse cenário, a classe trabalhadora de Morrinhos correu atrás, investiu em si mesma, e hoje a qualificação do trabalhador morrinhense é uma realidade notória.
O problema é que o sarrafo subiu de forma injusta. O que antes era o pré-requisito principal — a capacitação —, agora já não basta. Hoje, as indústrias e empresas do município exigem também a experiência prática.
Temos um cenário contraditório: diversas vagas abertas de um lado e, do outro, uma grande gama de trabalhadores com bons certificados, diplomas e cursos em mãos. No entanto, esses profissionais são deixados de lado porque o mercado local se recusa a dar a oportunidade do primeiro passo. As empresas querem a experiência, mas não querem fornecer o espaço para moldar e lapidar esse trabalhador.
É urgente mudar esse conceito silencioso que se instalou em Morrinhos. Estamos desperdiçando talentos, verdadeiros diamantes brutos que só precisam de uma chance para serem lapidados. Pouquíssimas empresas na cidade hoje oferecem essa abertura; dá para contar nos dedos de uma única mão.
É necessária uma mudança de mentalidade. O mercado precisa abrir as portas para quem se dedicou a estudar. Enquanto sobram vagas sem preenchimento, os requisitos aumentam de forma desproporcional. Vemos empresas e indústrias exigindo até três anos de experiência para cargos técnicos simples. Na prática, Morrinhos está fechando as portas na cara do trabalhador local que passou anos se preparando e agora bate à porta em busca de dignidade.
Por: Leonardo Moreira
