O antigo ditado que apregoa a razão absoluta ao cliente vem perdendo força diante de uma realidade cada vez mais dura enfrentada por quem trabalha no comércio de Morrinhos. O que deveria ser uma relação de troca e cordialidade, muitas vezes se transforma em um cenário de abusos, onde vendedoras, atendentes e entregadores se tornam alvos de comportamentos que extrapolam qualquer limite do bom senso. Não é raro ouvir relatos de profissionais que iniciam seu dia com dedicação, mas terminam a jornada desmotivados por terem enfrentado agressões verbais ou impaciência desmedida por situações cotidianas.
Um dos pontos mais sensíveis e urgentes dessa discussão envolve o assédio e o desrespeito direcionado especificamente às vendedoras. Muitas trabalhadoras do nosso comércio relatam abordagens inadequadas e comentários que ferem diretamente a dignidade feminina, disfarçados de uma falsa intimidade que o ambiente de venda não permite. Da mesma forma, os entregadores, que cruzam a cidade para garantir a conveniência do consumidor, frequentemente lidam com a falta de empatia e a hostilidade de quem acredita que o pagamento de uma taxa de serviço compra o direito de humilhar o prestador.
Essa cultura da “razão absoluta” é um mito perigoso que adoece o ambiente de trabalho. Quando uma empresa ou a própria sociedade permite que o cliente use sua posição para maltratar o funcionário, ela não está apenas perdendo um bom colaborador, mas está validando a falta de ética. O atendimento de excelência, que tanto buscamos para o desenvolvimento de Morrinhos, só é possível quando existe respeito mútuo. Afinal, por trás de cada balcão, uniforme ou guidão de motocicleta, existe um cidadão que merece ser tratado com a mesma educação que o consumidor exige para si.
Valorizar quem atende, vende e entrega é fundamental para a saúde da nossa economia local. É preciso entender, de uma vez por todas, que o ato de comprar não anula o dever de ser civilizado. No momento em que um cliente cruza a linha da moralidade e da educação, ele perde automaticamente qualquer razão que pudesse ter. Que o comércio da nossa cidade seja um lugar de bons negócios, mas, acima de tudo, um espaço de convivência humana e respeito ao trabalhador.
Por: Leonardo Moreira
